Data de Execução: Julho de 2009
Nupastel on cardboard
CORPORAL
O arabesco em forma de mulher
balança folhas tenras no alvo da pele
Transverte coxas em ritmos,
joelhos em tulipas.
E dança repousando
Agora se inclina
em túrgidas, promitentes colinas
Todo se deita: é uma terra
semeada de minérios redondos,
braceletes, anéis multiplicados
bandolins de doces nádegas cantantes
Onde finda o movimento, nasce
espontanea a parábola
e um círculo, um seio, uma enseada
fazem fluir, ininterruptamente,
a modulação da linha.
De cinco, dez sentidos, infla-se
o arabesco, maça
polida no orvalho
de corpos a enlaçar-se e destacar-se
em curva curva curva bem-amada
e o que o corpo inventa é coisa alada.
(Carlos Drummond de Andrade)
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